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Dom Cappio - Profeta do nosso tempo?

 

Por Mara Nunes

 

Dom Luiz Cappio, bispo da diocese de Barra (Bahia) há 18 anos preside uma celebração dedicada aos nordestinos que moram em São Paulo. A missa acontece no terceiro domingo do mês de janeiro no Santuário São Judas. Nesse dia, Dom Cappio representa o elo entre os familiares separados que confiam a ele lembranças, bênçãos e pedidos. As pessoas que chegavam para a celebração no chuvoso dia 20 recordavam a dedicação do religioso com os povos que moram às margens do Rio São Francisco – o Velho Chico. Além da sua peregrinação na Bahia, explicando sobre a importância de se plantar uma árvore, a preservação dos rios, as visitas que realiza para os doentes e a sua humildade. Desde o final da década de 70, o franciscano Luiz Cappio se dedica ao povo baiano e foi em uma enchente na cidade de Barra, em 79, que Luiz mergulhou para salvar homens, mulheres e crianças. “Há sete anos foi nomeado Bispo, mas não se importa com o título - é um pastor, pai e amigo que partilha com as pessoas o que tem”, diz o missionário alagoano Marcelo Farias. Nascida em Barra, Elenice Pereira Nunes, de 23 anos, mora em São Paulo há 9 meses e trabalha como auxiliar de produção. Ela destaca que Barra é uma cidade pequena e a maior riqueza é o rio. “O bispo (Dom Cappio) defende a natureza, recomendou que se plantasse árvores e isso foi melhorando também a condição dos pescadores. Se o rio mudar de lugar, os peixes diminuem e como ficam as famílias dos pescadores?”.  E foi com simplicidade e atenção à todos que apertavam a sua mão, que Dom Cappio chegou ao Santuário, quase sem tempo de ensaiar os cantos litúrgicos. Dezenas de pessoas que integram comunidades de base da Região Ipiranga, representantes de entidades de trabalhadores e militantes políticos demonstraram apoio à Campanha pela Revitalização do Rio São Francisco – considerado o Rio da Unidade. A homilia trouxe para a realidade paulistana extensa reflexão sobre o projeto de transposição das águas, tema muito esperado pelos baianos que aqui moram, pois pouco ou quase nada se ouve falar a respeito. Embora, o povo das grandes cidades tenha a sensação de que não será afetado  com o que poderá ocorrer com o Velho Chico, Dom Cappio ressaltou aspectos econômicos e sociais que irão afetar a qualidade de vida da população e aprofundar a pobreza. A manutenção desse projeto tem a possibilidade de favorecer fazendeiros que praticam a agricultura de exportação. Além dos custos da energia a ser gerada  para manter o curso das águas, dinheiro que poderá sair do bolso da população brasileira, o chamado subsídio cruzado. O advogado Plínio Arruda Sampaio completou as palavras de Dom Cappio fazendo um apelo para que o projeto governamental que prevê a transposição do Rio São Francisco não se concretize. Para Dom Cappio, a criatividade dos movimentos pode corrigir os abusos cometidos pelas decisões governamentais que prejudicam o bem-estar da sociedade. Sem demonstrar cansaço e após ser sabatinado por jornalistas, o Bispo de Barra conversou com os jovens missionários dehonianos, deixando a seguinte provocação: “Ser missionário é doar-se com sinceridade e tem que ser um estímulo de vida”.     

 

Para mais informações sobre a Campanha de Revitalização do Rio São Francisco: Fone: (11) 5563-6036 com Marilena e por e-mail:ongcaralimpa@gmail.com

 

Fotos: Marco Antônio Sá  (todos os direitos reservados)

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