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Jubileu de Padre Augusto César Pereira, scj 

 

 

 

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"A minha canção ao Amor"

No dia 15 de Junho a Paróquia/Santuário São Judas Tadeu se uniu ao Pe. Augusto César Pereira,scj para agradecer a Deus pelos seus 50 anos de sacerdócio, em celebração litúrgica.

 

HOMILIA DA MISSA DO JUBILEU DE OURO DO

 

Pe. Augusto César Pereira,scj

 

Santuário São Sudas Tadeu

São Paulo, 15 de junho de 2008

 

  

Dirigindo-me à assembléia litúrgica:

 

1. Acolho e saúdo e agradeço a todos vocês que corresponderam ao convite de virem celebrar este jubileu. Sugiro-lhes que cada qual faça também sua intenção de graças pelos muitos benefícios que tem para agradecer a Deus! Muitos transferiram compromissos inclusive de cirurgia. Outros vieram de Minas Gerais, de Brasília, do Paraná, de Santa Catarina, do Rio de Janeiro, do interior de São Paulo. Vejo aí uma significativa expressão do alto grau da fraternidade do nosso relacionamento.

 

O DEUS QUE ESTÁ EM MIM SAÚDA O DEUS QUE ESTÁ EM VOCÊ!

 

2. A Bíblia prescreve que a cada 50 anos o povo de Israel celebre o JUBILEU. A finalidade das prescrições que ouvimos na primeira leitura era de reverter as infidelidades do povo ao projeto de Deus e restabelecer o projeto da Aliança de Javé com a vida e a liberdade para todos (cf. Lv 25).

Nos 50 anos sacerdotais, eu retomo o meu começo, para reverter minhas infidelidades e restabelecer a minha Aliança com o projeto de Deus. Eu revivo a inspiração do meu primeiro e também único amor (Ap 2,4).

 

  3. Nós introduzimos na igreja o Evangeliário, onde Cristo é a Palavra, como na Eucaristia ele é o pão consagrado.

 

4. Eu sempre me senti colocado entre Jesus, PALAVRA de DEUS, e o povo. O povo não é a platéia de um show, não é um auditório festivo. Vocês são o povo de Deus, parceiro qualificado da Aliança. Por isso vocês são o povo indispensável para esta celebração. Vocês são o povo de Deus reunido em Assembléia Litúrgica: só ao povo de Deus, Deus confia sua Palavra. Fui credenciado pela Igreja para interpretar o que a Palavra de Deus quer falar ao Povo de Deus. É uma missão que eu considero “terrível”, porque sinto que é a  responsabilidade  maior que me pesa aos ombros. Tal responsabilidade me faz por vezes irritadiço. Porque eu tenho a consciência de que, da qualidade do meu serviço de pregador, depende que a Palavra se torne vida na vida do povo de Deus.

 

4. O Evangelho de hoje interpela a comunidade e cada qual de nós para responder: “Para você, quem sou eu?” Eu percebo que sou eu o primeiro chamado para dar publicamente a minha resposta.  Daí que eu tentarei interpretar a minha vida em espírito de fé; e prestar contas  da resposta para a pergunta que ele me tem feito e ainda hoje faz: “Padre Augusto, para você, quem sou eu” ? (cf. Mt 16,15).

 

5. Aliás, para responder, venho fazendo uma pesquisa para dentro de mim mesmo há alguns anos, como que me virando do avesso, para uma avaliação pessoal neste Jubileu. Não se trata de uma confissão geral pública. O que eu falarei a vocês não exporia a alguma platéia nem a público algum. Apresento-lhes em primeira mão o resultado dessa busca, porque sei que vocês têm gabarito para acolher com a mesma nobreza com que eu reverencio a sua dignidade de povo de Deus. Daí que com naturalidade e nobreza e até certo prazer eu me alegro em desvendar-lhes o que está por dentro dessa figura tantas vezes misteriosa do padre. Me encorajo, porque sei em que tipo de corações essas revelações vão receber acolhida.

 

6. Eu convido vocês para serem hoje testemunhas de especial confiança da  minha intimidade!

 

A MINHA CONSAGRAÇÃO

 

Eu me apresento como uma pessoa chamada por Deus para seguir a Jesus Cristo. Em tempo integral. Reserva exclusiva. Aceitei o chamado. Então, Deus me retirou do uso comum e me reservou para servir ao povo na esfera do sagrado.

Sou um profissional do sagrado, altamente especializado porque a Igreja teve o cuidado de me preparar para esse serviço; sou também um servidor do sagrado, porque sou disponibilizado a prestar gratuitamente serviço ao povo na área específica do sagrado; sou uma testemunha do sagrado, porque minha vida deve corresponder àquilo em que acredito.

 

A consagração é a motivação essencial para a pessoa consagrada. Por isso eu pesquisei minhas motivações. Com minhas motivações, eu me exponho à consideração diante de vocês; meu interior fica a descoberto! Vocês me conhecerão melhor; ou – conhecerão o melhor de mim.

 

A pessoa consagrada é uma presença que interpela e questiona a prática dos valores ilusórios vividos pela sociedade e aponta para os valores perenes do Evangelho.

A pessoa consagrada, por vocação e profissão é pessoa na contramão, talvez na contracultura da época. Não porque seja do contra, mas porque é consagrada a testemunhar os valores do Reino, acima das perspectivas mundanas.

A consagração é a minha entrega total a Deus. Não podem existir quaisquer reservas nem qualquer outro uso que possam profanar a consagração.

Eu recuso outra referência para a minha vida que não seja Deus; recuso outra causa da minha felicidade que não seja Deus.

Esta é a missão profética da minha consagração!

 

 

Para o Evangeliário:

 

 

Jesus, só o fato de eu lhe haver consagrado toda a minha vida em resposta à sua pergunta, e hoje chegar aqui para entregá-la novamente, revela que minha resposta é coerente, fiel, até apaixonada e definitiva.

 

Aliás, foi você quem me seduziu (cf. Jr 20,7). E, em resposta, eu me deixei seduzir. Este jogo de sedução é talvez o que hoje chamamos de “encontro pessoal com Cristo” e nossa adesão de fé a você. Nesta jura de amor recíproco, eu lhe garanto que seu chamado foi a melhor coisa que aconteceu em minha vida. Não consigo imaginar o que eu seria se não tivesse seguido a sua vocação. Confesso que nunca tive um “Plano B” para minha vida!

 

Para a assembléia:

 

PARTICIPANTE DA MISSÃO DA IGREJA

 

Participando da missão da Igreja, exerci o meu ministério em três áreas, como educador da fé para o amor, no espírito de serviço do Lava-pés: 1) no serviço da formação dos seminaristas; 2) no serviço pastoral de paróquias; e 3) no serviço ao mundo da comunicação.

 

dois comentários que devo fazer aqui. 1°) Nas aulas, escritos, na TV, homilias... tenho procurado formar a consciência crítica que as pessoas chamam de polêmica. O povo precisa pesquisar os porquês de sua fé; exatamente porque o porquê faz a gente tornar-se adulto e maduro na fé. O casal são José e a Virgem Maria esteve a ponto de desmanchar seu casamento se não tivesse esclarecidas as dúvidas com relação ao projeto de Deus a  respeito deles. É preciso cultivar as razões inteligentes que revelam a emoção maior: a pessoa humana foi elevada à condição de imagem semelhante a Deus exatamente pela capacidade de discernir.

Eu me empenho para fazer as pessoas sentirem-se provocadas a raciocinar. Faço assim, porque lhes quero bem!

 

 

MEU HINO À COMUNIDADE/CONGREGAÇÃO

 

    É 2°) preciso esclarecer que o merecimento por tudo o que foi conquistado deve ser atribuído às nossas comunidades dehonianas. Porque tive a graça de trabalhar sempre em comunidade, com colegas que nos incentivamos uns aos outros por causa dos ideais que nos unem num só coração e numa só alma.

 

Nós temos um núcleo central de fidelidade do qual não abrimos mão a preço algum. A consagração ao Reino é o vínculo profundo que sustenta o nosso sentimento de pertença à comunidade. A pertença não se apossa do indivíduo nem abafa o indivíduo. Pertença é relacionamento interdependente entre o religioso e a congregação. Não se trata de forças que se somam, mas que se articulam como os órgãos de um organismo: o objetivo é comum a todos e a cada qual, dentro das possibilidades de capacidades de cada qual. A pertença desperta o sentimento de família, com destino comum, todos responsáveis por todos, em unidade coesa. Forma-se assim a consciência solidária de que todos são responsáveis por tudo, todos comprometidos com tudo o que se refere à comunidade. Sem dúvida, o sentimento de pertença une de tal forma os laços interpessoais que se torna modelo de proposta para a sociedade civil. Diante do mundo excludente, a pertença apresenta-se como sólida experiência de inclusão.

 

Eu reafirmo o meu compromisso de pertença à Congregação Dehoniana, diante de tantos dehonianos e de nosso superior provincial Pe. Paulo Hülse.

Sinto-me completo em viver a nossa mística do amor oblativo, quero dizer: no modelo da doação que Cristo fez de sua própria vida ao Pai em favor da humanidade (Cst 6). Essa entrega ao Pai implica em algumas atitudes características dehonianas: estou aí para a aceitação do projeto do Pai; a disponibilidade para ouvir o necessitado, porque a necessidade dele é para nós a voz de Deus; e o despojamento que me liberta de muitas amarras para livremente me comprometer no serviço da missão de transformação do mundo.

Sinto comigo que ainda nos falta cultivar mais o espírito ousado  de nosso fundador Padre Dehon.

 

Não vejo necessidade de recorrer a outras espiritualidades, porque esta me satisfaz plenamente.

 

Nossa Congregação foi aceita pela Igreja e em troca se coloca em comunhão, quer dizer, compromete-se com a missão da Igreja.

 

Quanto ao relacionamento de minha família com a Congregação, mamãe falava sempre que “a Congregação era a minha segunda família”.

 

O COMPROMISSO PÚBLICO DE FIDELIDADE

 

A questão agora é a fidelidade à missão da Igreja Católica e à missão da Congregação. Embora não tendo eu a estrutura de um profeta, tentei apoiar os profetas, e tenho pago o preço que esse apoio me tem custado.

 

Destaco os profetas da evangelização libertadora, entre tantos: D. Luciano, D. Paulo Evaristo, D. Ivo, o amigo Padre Zezinho; e os profetas de hoje, D. Erwin Kräutler, D. Luiz Cappio e o Padre Lancellotti. Nestas e noutras pessoas, a Igreja vive o tipo moderno do seu martírio em coerência com a missão de lutar para que todos tenham vida em abundância. O profeta, aliás, se quiser transformar o mundo, “não pode ter idéias tímidas” começando pela sua própria transformação. Isto mostra que, hoje, não basta mais só ter fé. É necessário assumir e testemunhar as conseqüências da fé. Essas conseqüências da fé o cristão testemunha na rua, mergulhado nos problemas que preocupam o povo de Deus.

 

Por isso também trabalhei na CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil), porque assim eu atestava a minha identificação e adesão pública aos ideais da entidade, que empenha sua credibilidade servindo a Deus no compromisso com as causas dos pobres.

 

A CONVIVÊNCIA

 

Nos serviços ao povo, fui favorecido com a convivência de muitas pessoas de bom senso: padres, religiosos, religiosas, homens, mulheres, casais, jovens maduros, sábios idosos e encantadoras crianças de nossas comunidades; são tantas e santas pessoas de Deus, que me ajudaram a modelar a minha pessoa ao estilo do Evangelho (Is 29,16; 64,7; Jr 18,2.6; Rm 9,20-21).

A convivência é o melhor da vida do padre. Peço que o Pai reserve um bom espaço de seu coração para estas pessoas pelas quais eu tentei testemunhar o amor do Coração de Jesus.

 

 

AS TENTAÇÕES DO MUNDO SEDUTOR

 

É bem verdade que o mundo também é sedutor e tenta me aliciar com um Cristo light sem a cruz e sem a coroa e sem as chagas. Meu compromisso me tem feito recusar o Ressuscitado que não viva a vida nova no meio do povo.

 

Há pessoas que imaginam que o padre que chegou ao Jubileu de Ouro deve ter sido poupado das tentações e do pecado. Devo humildemente confessar minhas falhas por  atos e omissões por vezes mais sérias, por outras vezes frustrações e fracassos e outras menos graves.

Também a tentação e o pecado invadiram minha vida, em espaço que não era o deles. Porém eu aprendi que a tentação e o pecado têm também seu lado fraco. Por ali eu posso enfrentá-los e vencê-los falando SIM AO AMOR e aplicando novas doses de Amor nos meus pontos ainda vulneráveis. Eu creio que uma queda possa provocar a expressão de um grande amor.

 

A IMPORTÂNCIA DE LUTAR

 

Tive de lutar para manter a fidelidade. Até porque uma que outra vez, atordoado por sentimentos desencontrados, me passou pela cabeça a veleidade de jogar tudo para cima. Porém Cristo me abriu os olhos a tempo, por meio de pessoas sensatas que me ajudaram a discernir e optar! Dentro desse espírito de revelar o meu interior, quero revelar a vocês que o fato que me atordoou – não foi problema com dinheiro, mulher ... – mas foi o fracasso do nosso Centro Dehoniano de Comunicação, o CDC. Por respeito aos demais envolvidos, espero que o assunto morra por aqui, porque me perturba falar sobre ele.

Devo a sustentação da minha luta principalmente à nossa bela parceria: com a graça de Deus e o meu esforço alcançamos bonitas vitórias. É na luta que a gente tempera o caráter, forja a fidelidade e confirma a perseverança. A luta é a gana de querer conseguir até além dos próprios limites. Não basta “vestir a camisa”. É preciso “suar a camisa”! E manter os pés no chão. Eu tenho suado a minha.

 

Para o Evangeliário:

 

Você, Jesus, suou a camisa com as gotas de seu sangue.

 

JURAMENTO E TESTAMENTO

 

 Pois bem, Jesus, depois que me consagrei a você, nada mais é meu a não ser exatamente o vigor da consagração.

 

Aos 26 anos, os superiores me asseguraram perante a Igreja que eu era idôneo o suficiente para assumir a ordenação sacerdotal.

 

Depois, no correr dos anos, fui construindo a maturidade pessoal e reforçando minhas decisões: e me convenci do acerto da minha opção.

Seja Deus louvado

por tudo isso ter acontecido!

 

Se você quiser mesmo Jesus saber quem você é para mim – então eu lhe juro e declaro também o meu testamento: este é o meu jeito de renovar a nossa Aliança.

 

 

PARA  VOCÊ, QUEM SOU EU?

 

Tocar o Evangeliário com a mão:

 

 

PROFISSÃO DE FÉ E JURAMENTO

 

Jesus, diante da vergonhosa pobreza de lideranças em nosso mundo, principalmente tendo em vista a formação da  juventude; tendo diante dos olhos a escassez de compromissos duradouros na onda de superficialidade de relacionamentos; eu professo que –

 

·        você é o Cristo Filho de Deus vivo (cf. Mt 16,16

 

·        você é a Palavra de Amor para a vida eterna (cf. Jo 6,68);          

 

·        você é o enviado do Pai para promover a salvação do mundo (cf. Jo 3,17);

 

·        você jamais nos decepcionará (cf. Rm 9,32-33).

 

·       E eu juro, você é a única pessoa no mundo que me convenceu de que valeu a pena consagrar-lhe a minha de jovem ainda inexperiente como garantia de que eu agora já com a experiência da vida e do amor, lhe consagro tudo o que ainda me resta de minha vida. Com muito Amor!

 

·       Se pelos anos afora eu repeti a mesma resposta, não foi por falta de outra. É que eu nunca vi razões para mudá-la. E o meu coração me garante que, na repetição, a qualidade da resposta se aperfeiçoa cada vez mais.

 

·        ASSIM  SEJA !

 

 

Para a assembléia:                   

 

 

O FUTURO NAS MINHAS MÃOS

 

HOJE, sinto-me premiado com a “sabedoria da vida”; e exulto com jubilosa ação de graças porque tenho muito mais para agradecer do que para pedir! Nada para pedir!

Porém, não tenho a mínima idéia do futuro. Mas isto não me dispensa de tomar o futuro nas minhas mãos e me comprometer com a minha responsabilidade.

 

No seguimento da disponibilidade de Cristo no monte das Oliveiras, no modelo de Padre Dehon, eu abraço desde agora o que Deus Pai tiver destinado para mim no seu projeto.

Com a condição única de que se cumpra sempre a vontade do Pai e não a minha.

 

 

 

 

 

 

O MEU NOVO DESAFIO

 

O desafio que eu aceito agora é de pesquisar  o que Deus quer de mim - para fazer do período que me resta viver, o tempo da mais alta qualidade da minha vida. Para esse discernimento, conto com a ajuda da Congregação e da Igreja que não falham.

 

O que me ampara é esta certeza: se valeu a pena até agora, não encontro motivo para não esperar o mesmo daqui para a frente!

 

 

O MEU POEMA À IGREJA

 

Diante de nosso bispo regional D. Tomé Ferreira da Silva, da Arquidiocese de São Paulo, renovo A MINHA CONSAGRAÇÃO de pertença comprometida com a Igreja Católica que Jesus fundou como servidora do Amor de Deus ao mundo.

Entendo a Igreja acolhedora do mundo com suas aspirações e contradições. Entendo a Igreja como servidora do mundo, porque o mundo é o campo da sua missão evangelizadora.

 

Creio que a Igreja é santa e produz santos. O problema é a parte humana: inexplicavelmente cansada, acomodada, tantas vezes omissa e até mesmo medíocre. Isso, porém, não me tira o entusiasmo.

 

Deus abasteceu a nossa Igreja com sólido “depósito de fé” (2TM 1,12) e o “tesouro (reservatório) perene” da Graça.

 

A Igreja é a tradição histórica mais antiga e mais  categorizada do Ocidente.

 

Esta IGREJA somos nós! Eu amo a Igreja, acredito nela, no empenho pela formação de comunidades, ousada e audaz na promoção da dignidade da vida em todos os estágios, com abundância para todos.

 

Eu quero ser esta Igreja!

 

 

ACEITO  A  PERSPECTIVA  DA

FRAGILIDADE  HUMANA

 

Como padre dehoniano, tenho que dar vigoroso testemunho para a sociedade de hoje. Porque ela perdeu o sentido para a doença e faz de tudo para esconder e maquiar a morte

 

A minha posição é uma visão de fé sobre a misericórdia de Deus, diante destas realidades.

 

Misericórdia significa que Deus tem - e nós devemos ter  também o coração aberto para o mísero, o frágil, o pobre, o carente de qualquer necessidade.

Então, nesse espírito de fé na misericórdia, faço-lhes dois pedidos para quando vocês receberem a notícia do meu falecimento. Espero que vocês não vejam aí alguma insinuação de que eu esteja me despedindo da vida.

Igual a vocês, não tenho pressa.

                    

1) O primeiro pedido é que não rezem por mim, mas rezem comigo. Porque naquelas alturas, já estarei no regaço do Pai. Eu prometo que rezarei com vocês. Minha confiança está toda na misericórdia do Pai! Seria muita pretensão de minha parte, se eu achasse que algum pecado meu pudesse ser tão grande que a misericórdia não conseguisse cobrir. Acredito que o que eu devo às pessoas, elas serão suficientemente caridosas para me perdoar; e que o Pai há de me conceder uma surpreendente anistia de misericórdia.

Se alguém dentre vocês tiver dificuldade para entender a misericórdia, não se apavore. Saiba que eu só consegui tratar a misericórdia dessa maneira, depois de uns 20 anos de esforço na busca, para entender finalmente que: a justiça de Deus não é a dos homens – ainda bem! – a justiça de Deus é a misericórdia!

A misericórdia desafia e inverte nossa arrogante justiça e a nossa preconceituosa classificação das pessoas. A misericórdia inverte o justo e o injusto; a culpa e a inocência; a condenação e a absolvição; o processo e o julgamento; a sentença e o tribunal...

 

A misericórdia inverte a tal ponto os critérios da justiça que ela é a única filial do único tribunal de Deus, na terra e no céu! Sem apelação!

 

Afinal, irmãos, ninguém escapa da misericórdia de Deus!

 

2) O segundo pedido é que em vez de flores, enfeitem aquele meu momento com pacotes de comida para os pobres. É o seguinte: você notará que só com a comida, a fome volta. Então, você perceberá que precisa fazer mais; é o despertar da solidariedade. Você precisará comprometer-se com entidades solidárias para implantar a justiça social que – ela sim - irá eliminar as causas que produzem a miséria.

Meus queridos, pela misericórdia,

eu empenho a minha vida!

 

Para o Evangeliário:

 

 

REALIZADO E FELIZ

PORQUE FIEL

 

A minha vida sacerdotal e consagrada,

foi conduzida pela sua graça e muitas graças:

 você fez de mim um homem realizado;

realizado mas com a cabeça funcionando sempre a mil.

 Saiba ainda Jesus,

que você me fez - e eu sou - um padre feliz

com as escolhas  que eu fiz  procurando opções coerentes com a opção maior do sacerdócio dehoniano.

Feliz sim, mas com o coração sempre inquieto!!!

 

Creio que me posso considerar realizado e feliz, por ter feito o esforço de que fui capaz - para permanecer fiel.

 

Para a assembléia:

 

 

O VALOR DA EXPERIÊNCIA DA VIDA

 

POVO DE DEUS! O MUNDO HOJE SÓ ACEITA O QUE PUDER SER EXPERIMENTADO.

POIS TUDO O QUE HOJE FALO A VOCÊS EU POSSO PROVAR COM A EXPERIÊNCIA DE 50 ANOS! A EXPERIÊNCIA CONSTRUÍU A MINHA VERDADE. A EXPERIÊNCIA É A CREDENCIAL QUE ME LEGITIMA PARA FALAR NA PRIMEIRA PESSOA. ACREDITEM!

TENHO CONSCIÊNCIA DE QUE FALO NA PRESENÇA DO BISPO, DE NOSSO PROVINCIAL E DE TANTOS IRMÃOS PADRES QUE TAMBÉM TÊM SUA PRÓPRIA EXPERIÊNCIA! ALIÁS, DIANTE DE VOCÊS QUE TAMBÉM TEM CADA QUAL A SUA EXPERIÊNCIA QUE É TAMBÉM PARA VOCÊ A SUA VERDADE. TUDO ISSO SE JUNTA NA SÍNTESE DAS NOSSAS EXPERIÊNCIAS, DIFERENTES, MAS QUE BROTAM DA MESMA FÉ QUE PROFESSAMOS E QUE PRATICAMOS COM O MESMO AMOR.

 

Chegando ao final, quero confessar a vocês que é penoso a gente revelar seu interior. Mas, depois de 50 anos, só isso seria digno de eu oferecer para vocês que carregam a dignidade de povo parceiro de Deus. Posso provar tudo isso com o argumento da minha longa e frutuosa experiência de vida. Vocês conheceram hoje, a minha intimidade, lá onde eu sou mais eu.

 

A MINHA CANÇÃO AO AMOR

 

Para encerrar de fato, apresento-lhes aquilo que eu chamo de A MINHA CANÇÃO AO AMOR.

   

 Esta canção tem o jeito de uma ladainha. Convido vocês, então, para participarem, em pé, em atitude de meditação: depois de cada invocação minha, falem baixo, mas o suficiente para você se ouvir a si mesmo, a palavrinha  “sempre”.

 

MEUS CAROS!

SÓ O AMOR DÁ SENTIDO À VIDA! E NA VIDA, SE É QUE VALE A PENA FAZER ALGUMA COISA, SÓ VALE A PENA SE FOR PELO AMOR.

POR QUÊ?

 

Agora a “ladainha” :

 

PESSOAS ERRAM; O AMOR ACERTA. .................sempre

PESSOAS MENTEM; O AMOR É A VERDADE. ......sempre

PESSOAS ENGANAM; O AMOR É VERAZ. ............sempre

PESSOAS DECEPCIONAM; O AMOR É LEAL.

PESSOAS CALUNIAM; O AMOR CONFORTA.

PESSOAS INVEJAM; O AMOR INCENTIVA.

PESSOAS SÃO INDIFERENTES; O AMOR É PRESTATIVO.

PESSOAS FINGEM; O AMOR É AUTÊNTICO.

PESSOAS DERRUBAM; O AMOR REERGUE.

PESSOAS TRAEM; O AMOR É FIEL !!!

PESSOAS AFASTAM; O AMOR CONGREGA.

PESSOAS PERTURBAM; O AMOR TRANQÜILIZA.

PESSOAS FEREM; O AMOR CURA.

PESSOAS QUEREM ME POSSUIR; O AMOR SE DOA.

PESSOAS SÃO CALCULISTAS; O AMOR NÃO TEM PESO NEM TAMANHO NEM MEDIDA.

PESSOAS COBRAM, COMPRAM, VENDEM; O AMOR É GRÁTIS.

PESSOAS QUEREM ÍDOLOS; O AMOR É DEUS! .........sempre

 

DEUS É O MAIOR AMOR DO MUNDO! E NÓS DAMOS TESTEMUNHO DISSO!

 

A M É M !  A M É M !

 

Beijar o Evangeliário e mostrar ao povo.

 

Pe. Augusto César Pereira, scj

 Santuário São Judas Tadeu Apóstolo

São Paulo, 15 de junho de 2008

Telefone: (11) 5072-9928

           peaugustocesar@yahoo.com.br  

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

As três mesas da Missa

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Agradecimento

Sem dúvida, o primeiro agradecimento pela beleza de que se revestiu a celebração de meu Jubileu de Ouro Sacerdotal devo ao caríssimo confrade Pe. Luiz Fernando Pereira,scj. Ele conseguiu incorporar o significado da festa e mobilizar a comunidade num bonito espírito de família que se irradiou durante a preparação como no dia da festa.

Sei que mais pessoas gostariam de fazer mais coisas, mas havia um limite natural a respeitar. Vale, porém, sempre, a boa intenção.

Isso revela que nossa comunidade conseguiu assimilar o espírito da festa e o objetivo de celebrar o sacerdócio de Cristo e irmanar-se em torno de uma coordenação geral fomentadora da união entre todos.

A participação das crianças e dos jovens deu o ar de graça e encantamento, revestiu nosso Santuário de um clima de vida. Para nós, mais idosos, as crianças e os jovens garantem que nossa Igreja tem herdeiros e continuadores que ninguém há de segurar.

Importa salientar ainda o gesto significativo de fraternidade das pessoas que se deslocaram de longe, que até transferiram compromissos para poderem participar conosco. Reunimos mais de mil pessoas e 50 padres com o nosso Bispo Dom Tomé Ferreira Silva e o provincial Pe. Paulo Hülse,scj.

Seja Deus louvado por tudo o que nos foi dado celebrar e vivenciar fraternalmente!

Há um destaque a fazer, para mostrar como expressivo número de pessoas assimilou a proposta de – em vez de presentearem - trazer cestas básicas ou outros tipos de bens para os pobres. A gente pode e deve fazer bonitas festas, mas sem esquecer dos pobres!

- Padre Augusto, para você quem sou eu (cf. Mt 16,15)?

- Diante da falta de lideranças no mundo de hoje, eu juro que você é a única pessoa no mundo que me convenceu de que vale a pena consagrar-lhe toda a minha vida. Com muito amor. Valeu!

Minha bênção jubilar a todos,

Pe. Augusto César Pereira, scj - Dehoniano

fotos

 

Currículo Pe. Augusto César Pereira,scj

 

Participando da missão da Igreja, exerci o meu ministério em três áreas, como educador da fé, no espírito de serviço do Lava-pés:

 

Pastoral da Formação

 

Na formação dos seminaristas, empenhado em oferecer chances e recursos para eles formarem a base de seu caráter; mas em troca, exigindo de cada um o próprio empenho para conquistar a honestidade do cidadão e a convicção do cristão autêntico.

 

1)     Professor e Diretor do Seminário SCJ, em Corupá, SC

2)     Membro da Comissão de Formação SCJ.

Atividades na formação: Professor de Língua e Literatura Portuguesa e Brasileira; diretor de teatro estudantil e promoção de eventos escolares; ampliação das instalações físicas e pedagógicas do Seminário SCJ.

      3) Palestrista de encontros e de cursos de orientação religiosa e da Comunicação, e orientador de retiros espirituais.

 

Pastoral Paroquial

 

No serviço pastoral de paróquias, procurei formar a consciência do povo pra transformar a mentalidade de tradições estéreis, e alcançar a religião de compromisso capaz de testemunhar as razões inteligentes de sua fé.

 

1)     Na Arquidiocese de São Paulo - Pároco da Paróquia Nossa Senhora da Candelária, Vila Maria; Vigário Paroquial na Paróquia/Santuário São Judas Tadeu Apóstolo; Fundador da Paróquia são João Batista de Vila Guarani

2)     Na Arquidiocese do Rio de Janeiro - Vigário Paroquial na Paróquia Cristo Rei, no Méier

3)     Na Diocese da Campanha MG – Vigário Paroquial da Paróquia N. Senhora do Rosário

4)     Na Diocese Santo Amaro SP - Auxiliar na Paróquia São José Operário de Americanópolis

5)     Membro da Comissão de Pastoral SCJ

Pastorais exercidas: Catequese, Juventude, Família, Liturgia.

Outras atividades paroquiais: início da construção do Centro Comunitário Candelária e da matriz de São João Batista. Diretor espiritual do ECC (Encontro de Casais com Cristo) 1ª etapa paroquial; 2a e 3a etapas da Região Episcopal Ipiranga, São Paulo.

 

Pastoral da Comunicação

 

No mundo da comunicação, mantive o objetivo de discutir os temas desafiantes de hoje, para mostrar ao povo que a Igreja Católica tem propostas para satisfazer ao homem moderno. Temos o Deus que é exatamente o Amor de que o mundo tanto precisa.   

 

ü     Curso Superior na Faculdade de Comunicação “Cásper Líbero”

ü     Mestrado em Ciências da Comunicação, na ECA/USP

ü     Assessor Nacional do Setor de Comunicação da CNBB, em Brasília – DF

ü     Membro da Equipe de Reflexão do Setor de Comunicação da CNBB

ü     Jornalista do semanário O SÃO PAULO, da Arquidiocese de São Paulo

ü     Diretor do Jornal São Judas

ü      Membro da coordenação do programa anual de 30 horas:“Sermão da Paixão Segundo a Jovem Pan”

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