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ANO SANTO PAULINO
A compreensão da prática da Confissão para se obter a Indulgência Plenária dos pecados, neste Ano Paulino, tem gerado dúvidas e confusão na mente de muitas pessoas. Na esperança de lançar algum esclarecimento, segue aqui a reflexão, em 4 pontos, sobre o assunto Confissão e perdão dos pecados e outras maneiras de se obter o perdão dos pecados sem a Confissão. 1) Confessar - Quando? Quantas vezes? Pela celebração dos 2 mil do nascimento de Jesus Cristo – em 2000 – a Igreja também concedeu "a indulgência plenária dos pecados" praticamente nos mesmos moldes de agora – pelos 2 mil anos do nascimento de São Paulo Apóstolo. A freqüência da confissão Lá como agora se perguntava: quando? quantas vezes confessar-se? O documento daquela época – "Incarnationis Mysterium" (O Mistério da Encarnação, do Papa João Paulo II) – dá orientações para esclarecer quanto à freqüência da confissão para se obter a indulgência. São orientações válidas hoje, porque procedem do serviço pastoral do Papa. Não há necessidade de confessar cada vez que se quiser pretender ganhar a indulgência. A freqüência deve ser por um período de tempo razoável. Não se contam dias, semanas ou meses. É questão de bom senso! Razoável A expressão razoável obedece a dois critérios: o bem espiritual da pessoa e a comunhão eclesial (a comunhão com a comunidade). 1º critério: o bem espiritual da pessoa. Significa o benefício espiritual que a pessoa colhe da confissão. Este bem-estar espiritual brota da palavra amiga e compreensiva; da orientação que a pessoa recebe do confessor para determinadas situações do momento da sua vida; a paz de espírito pela abertura do coração ao amor do Pai; a certeza do perdão recebido pelo sacramento que lhe devolve a amizade com o Pai e, pelo Pai, com os irmãos. 2º critério: a comunhão eclesial. Comunhão, sabemos o que significa. Eclesial vem de uma palavra do idioma grego – ecclesia – que, em português, deu IGREJA. Igreja é a comunidade dos irmãos e irmãs em Cristo. A confissão possibilita o retorno à comunhão com a comunidade, com a Igreja. Seja que tenha havido um pecado mais grave que afastou a pessoa da comunhão no amor comunitário. A confissão possibilita reatar os laços de amor com a comunidade. Seja que a pessoa tenha vivido distanciada da participação na comunidade por algum problema particular. A confissão funciona como a porta do retorno à comunhão de amor na comunidade. Critérios pastorais Percebe-se que não se trata de aspecto jurídico que prescreveria o número de vezes e o espaço de tempo entre uma confissão e outra. São critérios pastorais porque dão prioridade à pessoa e à comunidade. 2) Confissão e "estado de graça" Estado de graça significa que você permanece na graça de Deus. Ou seja, que você está sem pecado, porque a graça (o Amor) mora em você. Onde mora o Amor não é possível viver o pecado. É natural, pois se a confissão é o sacramento para o perdão dos pecados – e você não tiver pecados – vai confessar o quê? Aliás, a nossa religião não é uma "fábrica" de multiplicar pecados. Nossa religião é cultivar a graça do Amor para que ele permaneça em nós. 3) A prática da caridade e o perdão dos pecados Fazer um ato de caridade é introduzir o Amor de Deus no meio de nós. Ora, Amor e pecado não podem conviver. Logo, se alguém estiver em pecado, o próprio Amor afasta o pecado e passa a existir só o Amor na vida da pessoa. Todo ato de caridade apaga os pecados. "Sobretudo, conservai vivo o amor mútuo, pois o amor cobre uma multidão de pecados" (1Pd 4,8). "Aquele que converter o pecador do mau caminho salvará sua vida da morte e cobrirá uma multidão de pecados" (Tg 5,20). 4) A Missa e o perdão dos pecados A Missa é a atualização do Mistério Pascal de Jesus Cristo. A Páscoa de Jesus foi uma anistia geral dos pecados para toda a humanidade. Então, a Missa atualiza também os efeitos do sacrifício redentor de Cristo. A Missa lembra isso nas palavras pronunciadas na consagração do vinho: "sangue derramado por vós e por todos para a remissão dos pecados". A Missa é atualização (hoje) do sangue derramado e da remissão dos pecados. Observação sobre a discussão teológica Grandes professores de Teologia e outros comprometidos discutem e estudam profundamente se a caridade (nº 3) e a Missa (nº 4) perdoam só os pecados ditos "veniais" (leves) ou os chamados "mortais" (graves) também. Ademais, também se discute a conveniência de classificar os pecados entre "veniais" e "mortais". Pe. Augusto César Pereira, scj - Dehoniano
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