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Nos
dias de hoje, um relacionamento bem sucedido parece milagroso. Todo ou
quase todo ser humano sonha com um relacionamento duradouro. Porém, as
pessoas são pouco preparadas para viverem juntos e para sempre.
Existem algumas regras importantes para a convivência a dois desde a
química até a tolerância, por exemplo. Neste artigo, quero ater-me sobre
um aspecto que considero um dos mais fundamentais para que duas pessoas
possam permanecer juntas mais tempo: É preciso escutar o outro
profundamente!
Acredito que “escutar” ainda é a maior dádiva do amor e que a escuta
profunda é o que faz o amor durar.
Escutar profundamente é a escuta com o coração e quem sabe fazê-lo sabe
silenciar. O silêncio promove um espaço maravilhoso, que convida a
pessoa amada a ir bem fundo, a fazer contato e expressar as formas mais
puras de seus sentimentos, quaisquer que possam ser, inclusive os
negativos.
A escuta profunda, envolve ouvir o outro com o coração. Representa a
disposição de aprender a escutar, com respeito, as palavras do parceiro
e a compreender os sentimentos que estão por detrás delas.
Quando o casal consegue realizar, de maneira responsável, o diálogo a
revelação da verdade contribui para a união, ou seja, para não
permanecerem apartados um do outro. Como terapeuta tenho levado muitos
casais a treinarem a escuta profunda. Evidentemente que no consultório é
mais fácil, mas vou sugerir alguns passos para serem seguidos em casa:
· Reservem um mínimo de 20 minutos e procurem um lugar particular onde
não serão incomodados.
· Dividam o tempo igualmente para falarem.
· O orador pode falar sobre qualquer coisa que quiser. Ao acabar de
falar, se houver ainda tempo, os dois devem permanecer em silêncio até
que o tempo termine.
· O ouvinte deve conceder uma atenção total ao orador, sem responder. Só
deve falar se for para pedir que o orador repita algo não entendido.
· Quando acabar o tempo do orador, os parceiros devem trocar de papel e
o segundo orador vai falar sem responder às palavras do primeiro. As
respostas ficam para um segundo momento após uma reflexão silenciosa que
pode levar horas ou dias.
· Depois que os dois acabaram de falar devem agradecer e abraçar um ao
outro e marcarem um novo momento para as respostas.
Parece difícil, mas vale a pena o aprendizado de ouvir, falar, refletir
e só depois responder. Desejo que muitos dos leitores possam tentar
aprender a conviver melhor.
Mariângela Mantovani,
terapeuta de casais e famílias,
autora do livro “Quando é necessário dizer não”- Editora Paulinas.
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