JORNAL SÃO JUDAS - Junho/2005
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Santuário S. Judas Tadeu - Sao Paulo

COMPORTAMENTO
   

Nos dias de hoje, um relacionamento bem sucedido parece milagroso. Todo ou quase todo ser humano sonha com um relacionamento duradouro. Porém, as pessoas são pouco preparadas para viverem juntos e para sempre.
Existem algumas regras importantes para a convivência a dois desde a química até a tolerância, por exemplo. Neste artigo, quero ater-me sobre um aspecto que considero um dos mais fundamentais para que duas pessoas possam permanecer juntas mais tempo: É preciso escutar o outro profundamente!
Acredito que “escutar” ainda é a maior dádiva do amor e que a escuta profunda é o que faz o amor durar.
Escutar profundamente é a escuta com o coração e quem sabe fazê-lo sabe silenciar. O silêncio promove um espaço maravilhoso, que convida a pessoa amada a ir bem fundo, a fazer contato e expressar as formas mais puras de seus sentimentos, quaisquer que possam ser, inclusive os negativos.
A escuta profunda, envolve ouvir o outro com o coração. Representa a disposição de aprender a escutar, com respeito, as palavras do parceiro e a compreender os sentimentos que estão por detrás delas.
Quando o casal consegue realizar, de maneira responsável, o diálogo a revelação da verdade contribui para a união, ou seja, para não permanecerem apartados um do outro. Como terapeuta tenho levado muitos casais a treinarem a escuta profunda. Evidentemente que no consultório é mais fácil, mas vou sugerir alguns passos para serem seguidos em casa:
· Reservem um mínimo de 20 minutos e procurem um lugar particular onde não serão incomodados.
· Dividam o tempo igualmente para falarem.
· O orador pode falar sobre qualquer coisa que quiser. Ao acabar de falar, se houver ainda tempo, os dois devem permanecer em silêncio até que o tempo termine.
· O ouvinte deve conceder uma atenção total ao orador, sem responder. Só deve falar se for para pedir que o orador repita algo não entendido.
· Quando acabar o tempo do orador, os parceiros devem trocar de papel e o segundo orador vai falar sem responder às palavras do primeiro. As respostas ficam para um segundo momento após uma reflexão silenciosa que pode levar horas ou dias.
· Depois que os dois acabaram de falar devem agradecer e abraçar um ao outro e marcarem um novo momento para as respostas.
Parece difícil, mas vale a pena o aprendizado de ouvir, falar, refletir e só depois responder. Desejo que muitos dos leitores possam tentar aprender a conviver melhor.

Mariângela Mantovani,
terapeuta de casais e famílias,
autora do livro “Quando é necessário dizer não”- Editora Paulinas.