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LITURGIA
CELEBRAÇÃO
DO CORPO E SANGUE DE CRISTO
 

o próximo dia 3 de junho celebramos a solenidade do
Corpo e Sangue de Cristo. A direção do jornal
pediu-me considerações sobre o modo de melhor
celebrar esta solenidade litúrgica. Proponho um
itinerário.
Contexto social
A celebração litúrgica deste ano
situa-se dentro do contexto social de uma grave crise
econômica, com o desemprego trazendo medo e
aflição para milhares de famílias. Por
medo e aflição, entenda-se a falta de
pão, de alimento, de escola. Conseqüência
disso, direta ou indiretamente, é a violência
grassando em muitas cidades e no campo. Junte-se a isso,
todo o processo de CPIs que descara a
corrupção presente em muitos segmentos da
política, do judiciário e da vida
econômica.
Contexto
eclesial
A Igreja segue com seu tríduo preparatório
rumo ao Jubileu 2000. Neste ano dedicado ao Pai, o tema da
misericórdia e do amor é o centro das
atenções. Diante de um mundo que grita e
incentiva o egoísmo, a misericórdia divina do
Pai insiste na gratuidade, na partilha e na
doação. Exemplo maior disso é o dom de
seu Filho para que todos tivéssemos mais vida e vida
plena (Jo 10,10)
Contexto
500 anos de evangelização
Foi iniciado em 17 de abril passado as
celebrações dos 500 anos de
evangelização do Brasil. A solenidade
litúrgica precisa ter presente este fato importante
em nossa história. Um dos temas centrais insiste na
busca de um país mais humano e mais fraterno. A
lição que nos vem da eucaristia é
básica neste sentido.
Contexto
celebrativo
Com tais realidades é que somos convidados a
celebrar a solenidade do Corpo e Sangue de Cristo. O que a
Liturgia responde e propõe?
- Como
podemos viver de modo mais fraterno? - repartindo o
pão
- Como
acabar com todas as formas de violência? -
através da oblação da
vida
- Como
por fim a tantas formas de corrupção? -
promovendo a vida em plenitude
Contexto
simbólico
Diante da vida social de hoje e iluminados pela Liturgia
da Palavra, a celebração pode (deveria) contar
com sinais, símbolos e gestos que ajudem a
assembléia a celebrar e louvar o Pai pela
presença eucarística em nosso meio e na
Igreja.
A
valorização simbólica precisa estar
atenta ao protesto social sem esquecer a dimensão
celebrativa litúrgica. Por este motivo, cantos de
louvor, coreografias, expressões gestuais da
assembléia, tato litúrgicas como de
compromisso empenho pela transformação social
precisam ter lugar no momento da missa.
É
bom lembrar que a solenidade do Corpo e Sangue de Cristo tem
uma ligação direta com a Quinta-feira santa.
Não esquecer, portanto, o gesto de serviço
vindo da eucaristia. Como Cristo lavou os pés antes
de partilhar sua vida no pão e vinho, a mesma
proposta de serviço e de partilha de vida deveria ser
enfatizada na celebração.
Por fim,
a procissão do Santíssimo (que sempre acontece
depois da missa) deve ser um momento de
manifestações de fé e não um
protesto ou ostentação gratuita contra outras
manifestações religiosas. Por isso, uma
preparação que envolva leituras
bíblicas, cantos eucarísticos e de compromisso
cristão, juntamente com orações,
não pode faltar neste gesto que encerra a
celebração do Corpo e Sangue de Cristo.

Pe.
Serginho Valle, scj - Licenciado em liturgia e
comunicação social.
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