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A VOZ DE
SÃO JUDAS
rádio 9 de julho


LITURGIA
CELEBRAÇÃO DO CORPO E SANGUE DE CRISTO






o próximo dia 3 de junho celebramos a solenidade do Corpo e Sangue de Cristo. A direção do jornal pediu-me considerações sobre o modo de melhor celebrar esta solenidade litúrgica. Proponho um itinerário.


Contexto social
A celebração litúrgica deste ano situa-se dentro do contexto social de uma grave crise econômica, com o desemprego trazendo medo e aflição para milhares de famílias. Por medo e aflição, entenda-se a falta de pão, de alimento, de escola. Conseqüência disso, direta ou indiretamente, é a violência grassando em muitas cidades e no campo. Junte-se a isso, todo o processo de CPIs que descara a corrupção presente em muitos segmentos da política, do judiciário e da vida econômica.

Contexto eclesial
A Igreja segue com seu tríduo preparatório rumo ao Jubileu 2000. Neste ano dedicado ao Pai, o tema da misericórdia e do amor é o centro das atenções. Diante de um mundo que grita e incentiva o egoísmo, a misericórdia divina do Pai insiste na gratuidade, na partilha e na doação. Exemplo maior disso é o dom de seu Filho para que todos tivéssemos mais vida e vida plena (Jo 10,10)

Contexto 500 anos de evangelização
Foi iniciado em 17 de abril passado as celebrações dos 500 anos de evangelização do Brasil. A solenidade litúrgica precisa ter presente este fato importante em nossa história. Um dos temas centrais insiste na busca de um país mais humano e mais fraterno. A lição que nos vem da eucaristia é básica neste sentido.

Contexto celebrativo
Com tais realidades é que somos convidados a celebrar a solenidade do Corpo e Sangue de Cristo. O que a Liturgia responde e propõe?

  • Como podemos viver de modo mais fraterno? - repartindo o pão
  • Como acabar com todas as formas de violência? - através da oblação da vida
  • Como por fim a tantas formas de corrupção? - promovendo a vida em plenitude

Contexto simbólico
Diante da vida social de hoje e iluminados pela Liturgia da Palavra, a celebração pode (deveria) contar com sinais, símbolos e gestos que ajudem a assembléia a celebrar e louvar o Pai pela presença eucarística em nosso meio e na Igreja.

A valorização simbólica precisa estar atenta ao protesto social sem esquecer a dimensão celebrativa litúrgica. Por este motivo, cantos de louvor, coreografias, expressões gestuais da assembléia, tato litúrgicas como de compromisso empenho pela transformação social precisam ter lugar no momento da missa.

É bom lembrar que a solenidade do Corpo e Sangue de Cristo tem uma ligação direta com a Quinta-feira santa. Não esquecer, portanto, o gesto de serviço vindo da eucaristia. Como Cristo lavou os pés antes de partilhar sua vida no pão e vinho, a mesma proposta de serviço e de partilha de vida deveria ser enfatizada na celebração.

Por fim, a procissão do Santíssimo (que sempre acontece depois da missa) deve ser um momento de manifestações de fé e não um protesto ou ostentação gratuita contra outras manifestações religiosas. Por isso, uma preparação que envolva leituras bíblicas, cantos eucarísticos e de compromisso cristão, juntamente com orações, não pode faltar neste gesto que encerra a celebração do Corpo e Sangue de Cristo.



Pe. Serginho Valle, scj - Licenciado em liturgia e comunicação social.





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