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A VOZ DE
SÃO JUDAS
rádio 9 de julho


O HOJE DE DEUS
CORAÇÃO DE JESUS






contemplação da ação do Cristo desde o nascimento até a ressurreição, obriga-nos a reconhecer como é infinito o amor de Deus por nós. Jesus é a revelação perfeita da misericórdia e generosidade que Deus tem conosco. Essa dimensão próxima, "cardíaca", afetuosa de Deus nós veneramos como o Coração de Jesus. Esta, parece-me, é a grande revolução da Boa Nova de Jesus: o Coração de Deus está em sintonia profunda com o coração da humanidade.

Esta sintonia que começa com um movimento de amor do próprio Deus (Ele nos amou primeiro) dá-nos a possibilidade de investigar e descobrir algumas pessoas que se deixaram cativar pelo amor infinito de Deus, pródigo em propor-se como amante da pessoa humana.

O primeiro retrato eloqüente desse toque de amor é a Mãe-discípula, Maria. Na alegria da sua escolha como caminho para a redenção, na relação criativa com o Filho, nas aparentes contradições entre as promessas messiânicas e o cotidiano normal da família de Nazaré… Maria foi e sentiu-se amada sem medidas por Deus.

Sabemos da auto-descrição de João Evangelista como "aquele que o Senhor amava". A compreensão deste vínculo profundo com Jesus não foi fruto de uma experiência fortuita de um jovem discípulo. Foi a síntese amadurecida de um apóstolo que, depois de uma vida toda pregando e vivendo o Evangelho, se coloca a registrar a sua história de amor com o Mestre, que revelou o rosto mais profundo e sintético do Pai: "Deus é Amor, e quem permanece no Amor permanece em Deus".

Os discípulos, apóstolos e todos os que, ao longo da história do cristianismo, foram sendo tocados pela misericórdia de Deus tornam suas vidas extensões desse amor.

Quando falo em Corações de Jesus, trato exatamente dessa dupla possibilidade: quem é amado por Deus torna-se de Deus e é a presença real desse amor para as pessoas com as quais convive. Corações de Jesus presentes no mundo, na sensibilidade com o carente, curvados sobre o que sofre, comprometidos com o violentado, engajados nas transformações que se exigem para fazer dessa a civilização do Amor. Corações de Jesus de todos os tempos têm a ternura de Deus. Conseguem olhar e acolher o mundo como irmãos e irmãs.

O apelo que a festa do Coração de Jesus nos faz é exatamente o de superar a antiga tentação de acreditar numa intervenção divina sem a nossa responsabilidade solidária. É a possibilidade de nos convencermos do seguinte: acolhidos que fomos pelo Coração de Deus cujo Amor foi aos extremos, ao nos dar Seu Filho como companheiro da experiência humana, somos capazes de amar e amando construir a nossa e a felicidade dos que caminham conosco.

A proposta já está conhecida. Peçamos a graça de entrar nesta sintonia com o Senhor, que já tem pensado todo o bem para nós, para nossa felicidade.

Um grande abraço.



Chico Sedrez - Colégio Marista Arquidiocesano.





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